
Liquidação do Will Bank: quais são os direitos dos clientes?
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, fintech controlada pelo Banco Master, afetando cerca de 12 milhões de clientes.
O bloqueio das operações não significa perda automática dos valores. Contas e saldos ficam congelados temporariamente, mas o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) garante devolução até R$ 250 mil por CPF para produtos elegíveis. Enquanto isso, dívidas e faturas continuam válidas e exigem atenção.
As informações listadas a seguir são baseadas na apuração do Consumidor Moderno.
O que significa a liquidação do Will bank
A liquidação extrajudicial, segundo o Banco Central, é adotada quando uma instituição apresenta risco à continuidade. Com a medida, serviços como transferências, Pix, pagamentos e operações com cartão são interrompidos temporariamente para avaliação da situação financeira do banco.
O que muda para saldos e investimentos
Durante a liquidação, o aplicativo e os canais do banco deixam de funcionar normalmente e o saldo não pode ser movimentado. O Banco Central nomeia um liquidante para levantar os dados financeiros da instituição, identificar os saldos dos clientes e organizar o pagamento aos credores.
“Durante a liquidação, o Banco Central nomeia um liquidante, responsável por levantar todos os dados financeiros da instituição, identificar os saldos dos clientes e organizar o pagamento aos credores”
E as dívidas e faturas?
As dívidas não são canceladas pela liquidação. Faturas de cartão de crédito, empréstimos e financiamentos permanecem vigentes e podem continuar a ser cobradas.
O advogado Thacisio Rios alerta que o consumidor não deve parar de pagar sem orientação formal do liquidante, pois a inadimplência pode resultar em registros em órgãos de proteção ao crédito como SPC e Serasa.
Como funciona a garantia do FGC
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assegura a devolução de até R$ 250 mil por CPF, considerando o total de valores mantidos na instituição. O FGC cobre produtos elegíveis, entre eles:
- Conta corrente, poupança, CDB e RDB;
- outros depósitos elegíveis.
Valores acima do limite do FGC não são automaticamente perdidos, mas o cliente passa a ser credor da massa da liquidação e a recuperação depende da venda de ativos do banco e do andamento do processo de liquidação.
Riscos de golpes e cuidados imediatos
Com a liquidação, crescem tentativas de fraude por mensagens no WhatsApp, SMS e redes sociais. O advogado destaca que o FGC não cobra tarifas e que comunicações devem ser verificadas apenas pelos canais oficiais.
As informações oficiais estarão disponíveis nos canais do Banco Central, na área de regimes especiais, e do Fundo Garantidor de Créditos, além dos editais públicos da liquidação.
Direitos do consumidor
Mesmo durante a liquidação, os clientes mantêm direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. Entre eles estão:
Acesso à informação clara e transparente; garantia de restituição dentro do limite do FGC; possibilidade de indenização em caso de erro ou demora injustificada; e o direito de recorrer à Justiça se houver prejuízos comprovados.
O que fazer agora
Mantenha a calma e aguarde instruções oficiais. Não aceite mensagens ou ofertas não verificadas e não interrompa pagamentos sem orientação formal do liquidante.
Monitore as comunicações do Banco Central e do FGC e guarde documentos e comprovantes que possam ser úteis caso seja necessário recorrer à Justiça ou buscar indenização.
Recapitulação
Em síntese: a liquidação do Will Bank interrompe operações e bloqueia movimentações, mas não apaga saldos — há proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF. Dívidas continuam válidas e exigem atenção. Busque apenas canais oficiais para informações e siga as orientações do liquidante e dos órgãos reguladores.




