
Banco Central confirma expectativas e mantém juros em 15% ao ano
O Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, confirmando as expectativas do mercado financeiro e sinalizando que o corte deve começar em março. Segundo o UOL Economia, a decisão foi tomada nesta reunião do Copom e adotou tom mais ameno em relação a comunicados anteriores.
Foi a quinta vez consecutiva que a Selic ficou inalterada — o patamar de 15% ao ano é o maior desde 2006 — e o Comitê justificou a manutenção pelo mercado de trabalho ainda aquecido, apesar de um arrefecimento da inflação.
O Copom manteve postura de cautela, mas Banco Central deixou explícita a possibilidade de iniciar a flexibilização da política monetária em março, se o cenário esperado se confirmar.
O que aconteceu
A taxa chegou a 15% ao ano em junho do ano anterior, após seis altas consecutivas, e permaneceu estável nas reuniões de julho, setembro, novembro, dezembro e agora janeiro. A decisão de janeiro foi unânime entre os membros do Copom.
O que motivou a decisão
O comunicado do Comitê destacou que a atividade econômica segue em Banco Central “trajetória de moderação” e que a inflação apresenta arrefecimento, embora ainda esteja acima da meta central de 3% ao ano.
“O mercado de trabalho mostra resiliência”
O baixo desemprego impede uma queda mais rápida da inflação, na avaliação do Copom, porque a ocupação elevada sustenta o consumo e pressiona preços.
O Comitê Banco Central também mencionou a instabilidade do ambiente externo, em especial a política econômica nos Estados Unidos, e manifestou preocupação com os efeitos de desenvolvimentos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros.
Projeções e indicadores
O Copom citou expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus: 4% para 2025 e 3,8% para 2026. O próprio Comitê projetou IPCA acumulado em 2026 em 3,4% (ante 3,5% em dezembro) e estimou o IPCA para o terceiro trimestre de 2027 em torno de 3,2%.
Desde dezembro, a inflação está dentro do teto da meta (4,5%). A prévia de janeiro registrou alta de 0,20% e, nos 12 meses encerrados em janeiro, o IPCA-15 alcançou 4,5%, no teto da meta.
O que muda na prática
- Crédito fica mais caro: a Selic elevada encarece empréstimos, financiamentos imobiliários e de veículos, e linhas de crédito para empresas.
- Renda fixa mais atrativa: investimentos atrelados à Selic oferecem retorno maior, enquanto a poupança perde competitividade.
- Reação do mercado: analistas esperam alta da Bolsa, queda do dólar e fechamento da curva de juros se o mercado assimilar a sinalização de corte em março.
Reações políticas e do mercado
O governo tem pressionado por redução imediata da taxa. O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defenderam a necessidade de redução dos juros; Haddad afirmou que “[as taxas de juros] Banco Central vão ter que cair”.
Por outro lado, analistas e o próprio Copom ressaltam a necessidade de cautela diante de núcleos de inflação ainda pressionados e da incerteza fiscal.
Decisão e próximos passos
A decisão do Copom foi unânime. Votaram a favor Gabriel Galípolo (presidente do BC) e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O tom do comunicado ficou mais ameno: o parlamento textual que falava em manter juros “por período bastante prolongado” e a menção a política monetária “em patamar significantemente contracionista” foram retiradas.
Essa mudança indicou a intenção do Comitê de iniciar a redução da Selic Banco Central já na reunião de março, mas o Copom reforçou que manterá a restrição adequada enquanto houver maior incerteza.
Resumo: o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, reafirmou a cautela diante de pressões inflacionárias e do cenário fiscal e deixou sinal claro de que, se as condições evoluírem como esperado, a redução dos juros deve começar em março.
Fonte: UOL Economia.




