Bancos

Banco bom não precisa pagar 140% do CDI

 

O colapso do Banco Master e do Will Bank confirma que um banco bom não precisa pagar 140% do CDI. Ofertas muito acima do mercado foram um sinal de risco e terminaram em liquidação.

Em novembro de 2025 o Banco Central liquidou o Banco Master; em janeiro de 2026 o Will Bank, comprado pelo Master em 2024, também foi liquidado — são sete instituições do mesmo grupo desmoronando em menos de três meses.

O que ocorreu

Segundo o Diário do Nordeste, o Master atraía mais de 1,6 milhão de brasileiros oferecendo CDBs que chegavam a 140% do CDI.

“O Master oferecia CDBs pagando até 140% do CDI, uma taxa chamativa que atraiu mais de 1,6 milhão de brasileiros.”

Por trás da captação generosa havia um esquema de fraudes estimado em R$ 12 bilhões, com carteiras de crédito falsas e fundos sem lastro. Quando o esquema veio à tona, o estrago exigiu uma intervenção do Fundo Garantidor de Créditos.

Consequências para os clientes

O FGC precisará desembolsar cerca de R$ 50 bilhões — o maior resgate da história do fundo — para ressarcir clientes. Quem tinha até R$ 250 mil por CPF em cada banco está protegido e começou a receber em janeiro de 2026. Clientes que ultrapassaram esse limite tornaram-se credores na fila da liquidação, sem garantia de recuperar todo o dinheiro.

Por que 140% do CDI é um sinal de risco

Ofertas muito acima da média indicam que a instituição não consegue captar por meios normais ou está disposta a assumir risco excessivo para crescer. É comparação direta com um comércio que vende muito abaixo do preço: pode haver um problema por trás.

Com a Selic em 15%, um CDB pagando entre 100% e 110% do CDI já é considerado excelente. Quando um banco paga 130% ou 140%, cabe perguntar por que precisa oferecer tanto mais que a concorrência.

Três cuidados práticos

  • Respeitar o limite do FGC: nunca colocar mais de R$ 250 mil em uma única instituição ou conglomerado financeiro; dividir valores entre bancos diferentes se for necessário.
  • Desconfiar de rentabilidades muito acima da média: perguntar por que o banco oferece 130% ou 140% do CDI quando a maioria não precisa disso.
  • Preferir instituições sólidas: bancos como Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e Banco do Brasil não pagam as maiores taxas, mas têm décadas de estrada e solidez comprovada.

O recado do caso Master e Will Bank

O episódio deixa claro que segurança pode valer mais que alguns pontos percentuais de rentabilidade. A liquidação e o consequente resgate do FGC servem como advertência para investidores que buscam ganhos imediatos sem avaliar contrapartes.

Conclusão acionável

Ao escolher onde aplicar recursos, priorizar segurança: dividir investimentos, respeitar o teto do FGC e desconfiar de ofertas muito generosas. O caso do Master e do Will Bank mostra que o patrimônio exige cautela — e que o tédio da segurança muitas vezes é preferível à emoção do risco.

Fonte: reportagem de Alberto Pompeu no Diário do Nordeste.

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